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Avatar de Anthony Bá

Levei esse texto para a aula de Educação Especial na UFF, no curso que faço como aluno de pedagogia, me dei conta de como essa discussão atravessa diretamente a minha existência. Quando ele diz que “a normalidade é uma camisa-de-força”, eu sinto isso no corpo: a pressão constante para caber em padrões que nunca foram feitos para mim. Na turma, teve gente que amou o texto e teve gente que não. O que mais me pegou no texto foi perceber como a sociedade empurra a gente a se agarrar a diagnósticos para justificar aquilo que já era nosso desde sempre. Eu entendo o valor do diagnóstico, ele pode abrir portas, mas também vejo como ele pode virar rótulo demais e vida de menos. No fim, o que levo para mim é que eu existo antes, durante e depois de qualquer sigla, e que o desafio é construir um mundo onde eu e outras pessoas possamos ser com nossas estranhezas sem precisar de autorização médica.

Avatar de juliagarcia

"Nomear suas angústias, sua falta de desencaixe, suas manias, suas demandas faz vc se entender mais muito muito mais mesmo!"

Mas quem está nomeando essas angústias é você ou a Associação Americana de Psiquiatria? Não estou respondendo diretamente no comentário onde esse argumento foi levantado porque queria usar como ponto de partida pra dizer algo que está relacionado. Alex, você não chega a mencionar no texto, mas além do argumento do pertencimento, vejo muito essa ideia de que a sistematização de transtornos "neurodivergentes" ajuda as pessoas porque permite que elas consigam "acomodações" que as coloquem em pé de igualdade com os demais, "neurotípicos". Essas acomodações podem realmente ser importantes e permitir que algumas pessoas consigam desempenhar funções que antes não desempenhavam com sucesso, como manter uma alimentação saudável, hábitos de higiene consistentes, etc. Mas quando estamos pensando em pessoas cuja história é "fui diferente a vida inteira, nunca me adaptei, nunca consegui fazer as coisas que queria" fica difícil separar essa impressão pessoal de um histórico real que sugira uma defasagem a ser corrigida. (Pra uma comparação simples, pense na diferença entre "não passei no processo seletivo porque queriam chamar o sobrinho do chefe" e "não passei no processo seletivo porque rolou o azar de alguém concorrer justo a essa vaga tendo currículo melhor que eu".) Quando coloco as coisas em termos de "dificuldades que passei na vida", o que estou querendo dizer não é que eu queria ter tido chances que não tive, oportunidades diferentes, enfim? O auxílio terapêutico (medicamentoso ou não) é pra que eu possa diminuir meu sofrimento na sociedade ou para que as minhas limitações tenham menos consequências? Como saber se as consequências que eu vivi são injustas, porque resultado de uma má interpretação de um transtorno global do desenvolvimento, ou normais, porque todo mundo tem diversos qualidades e defeitos que vão trazer imprevisíveis problemas e soluções ao longo da vida? Essas medidas que me "adaptam" à sociedade estão me ajudando a lidar com as inevitáveis angústias da vida ou estão tentando me poupar de sofrer as também inevitáveis consequências de ser quem a gente é no mundo?

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