A normalidade é uma camisa-de-força
A multiplicação de identidades psiquiátricas, autodiagnosticadas ou não, só fortalece uma ideia de normalidade totalmente conformista e conservadora
Se as pessoas podem aceitar suas estranhezas pessoais se estiverem atreladas a um diagnóstico convencionado aleatório, então, também poderiam já ter se autoaceito sem a necessidade desse diagnóstico. Mas a pessoa deslocada e inadequada que recebe um diagnóstico qualquer e se sente aliviada por esse rótulo é a vítima do golpe. Quem estou culpabilizando é a violência invasiva da sociedade e o conformismo conservador da psiquiatria.
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Aquelas novas identidades autodiagnosticadas
Deixa eu compartilhar aqui um incômodo meu com identidades autodiagnosticadas.
Digamos que eu faça uma lista de cinco características pessoais aleatórias, juntando tanto positivas, negativas quanto neutras:
1. enjôo em veículos
2. aptidão para exatas
3. impontualidade
4. intolerância à lactose
5. paixão por ópera
Digamos, então, que eu convencione chamar as pessoas que apresentam essas características de “flupocréticas”.
Certamente, das 8 bilhões de pessoas do mundo, várias milhões apresentam essas cinco características.
Se essas pessoas passarem a se autodiagnosticar “flupocréticas”....
E daí?
Em que isso as ajuda a suportar as muitas dificuldades (que todas nós enfrentamos) no dia-a-dia?
Qual é a vantagem desse novo diagnostico/rótulo/identidade para suas vidas práticas?
A quem isso serve?
(Exceto, naturalmente, as pessoas que vão começar a se autoentitular “influencers flupocréticos” ou a vender cursos de coach “viva melhor com seu flupocretismo” ou a escrever livros de autoajuda “ABC flupo” etc.)
Se eu sei que sou diferente do que a sociedade vende como normal (e quem não é?), qual é a vantagem de “saber” que o meu conjunto de estranhezas pessoais se chama “flupocretismo” e não, digamos, “gadejoal” ou “porbacete”?
Eu sou como sou.
Se sou como sou porque sou “leão”, que diferença faz?
Acredito nesse rótulo? Não. Ele é tão convencionado e vazio de significado como “flupocrético”.
Se mudarem os signos e inventarem que agora as pessoas nascidas entre 4 de abril e 19 de maio são “linces”, minha personalidade vai mudar? Minha vida vai ser diferente? Vou me sentir mais visto, mais compreendido, mais aceito?
E se hoje estou no “espectro flupocrético” mas, amanhã, uma dissidência de “pesquisadores” decidir que não sou impontual o suficiente para ser “realmente flupocrético” e que, na verdade, os casos leves de “flupocretismo” como o meu são agora chamados de “mugrepes”… e daí?
O que me importa na prática é viver como eu quero e ser aceito em minha inteireza pelas pessoas que eu amo, pela sociedade, pelo Estado.
Pouco importa se aquilo que eu sou tem um “nome” convencionado ou não.
Quando estou lidando com outra pessoa, eu não preciso saber o que ela é, nem ela precisa ter um rótulo convencionado, para que eu aceite seu direito a ter suas estranhezas e peculiaridades.
O alívio do diagnóstico
Muitas pessoas revelam que o momento do diagnóstico é sempre de muito alívio:
“Pôxa, Alex, eu me achava errada, estranha, fora de sintonia, diferente, etc. Mas acabou que descobri que só sou [insira aqui seu rótulo]. Que alívio!”
Tenho muitas pessoas amigas queridas que passaram por isso, e respeito a vivência delas, mas confesso que não entendo.
Digamos que eu sei que tenho as características pessoais A, B, C, D e E. Elas são vistas como negativas e, por isso, como minha amiga, a consciência delas me faz sentir “errado, estranho, fora de sintonia, diferente”, etc. Ok.
Por que seria um alívio pra mim saber que, em algum ponto do passado, alguma pessoa aleatória puxou da cartola essas cinco características, as juntou em um único guarda-chuva vocabular e convencionou chamar quem as apresenta de “labájofo”?
Em que subitamente eu me “saber” “labájofo” muda minha vida ou minha percepção de mim mesmo?
É como se eu tivesse passado a vida inteira achando que tenho cabelo castanho e, um dia, alguém me falar que não, que na verdade o tom específico da cor do meu cabelo se chama “ocreado”.
Ok. Então, meu cabelo é ocreado. Mudou alguma coisa?
Eu continuo igual. Meu cabelo continua igual. Minha opinião sobre meu cabelo, positiva ou negativa, continua igual.
Só mudou eu saber que outras pessoas usam para descrever o meu cabelo uma palavra diferente da que eu usava.
Eu posso escolher me autoaceitar
Objeção: “A questão não é o nome em si, mas a sensação de pertencimento e autoaceitação. Se seu cabelo é castanho num mundo de loiros e isso te deixa desconfortável, vc pode pintar o cabelo. Ou vc pode se achar o máximo sendo diferente e ok. A questão comportamental é diferente pq envolve muito mais esforço (tanto para mudança quanto para bancar a não mudança).”
Sim, mas se a pessoa consegue se autoaceitar depois de tomar conhecimento do tal rótulo aleatório convencionado, então ela também poderia ter escolhido se autoaceitar antes, sem a necessidade do rótulo.
Ou, em outras palavras, se eu me autoaceito porque as minhas características pessoais A, B, C, D e E querem dizer que sou “labájofa”, então eu já poderia ter me autoaceito por ter as características pessoais A, B, C, D e E só porque elas são minhas, sem precisar de um rótulo aleatório convencionado que as juntasse.
Não me parece nada fora da realidade as pessoas simplesmente se aceitarem como são, ao invés de precisarem depender de diagnósticos convencionados aleatórios para só então se autoaceitarem.
Quem está errado: nós ou o mundo?
Objeção: “O que me incomoda no seu texto inicial é colocar o indivíduo que se alivia com um diagnóstico como sendo “errado” por usar esse consolo”
É oposto. A pessoa está certa. Se o mundo a considera errada, o errado é o mundo. Ela não precisa de um rótulo aleatório convencionado para se “sentir” certa, porque ela já está certa.
A questão é se vamos mudar as pessoas para que elas se adequem ao mundo, ou se vamos mudar o mundo para que ele se adeque às pessoas.
Objeção: “Mas o mundo me martela ativamente o tempo todo que eu não sou como as demais pessoas pq eu não tentei o suficiente. Daí alguém vem e diz: não, de fato vc funciona diferente”
Não existem essas tais pessoas “diferentes e estranhas” pois somos todas diferentes e estranhas umas para as outras. O que chamam de “normalidade” é uma camisa-de-força ideológica feita para nos prender, limitar, reprimir.
Essa ideia de que “você é diferente” é parte do problema. O mundo te convence que você é diferente... para te esconder o fato de que não existe essa tal normalidade que estão querendo nos enfiar goela abaixo.
Objeção: “Seu texto, como consideração individual para autodiagnóstico e autoaceitação me soa como culpabilização da vítima”
Estou culpabilizando a violência invasiva da sociedade e o conformismo conservador da psiquiatria. A pessoa deslocada e inadequada que recebe um diagnóstico qualquer e se sente aliviada por esse rótulo aleatório convencionado é a vítima do golpe.
Os caras inventaram uma ciência fajuta que aprisionou pessoas em manicômios e convenceu boa parte do mundo que ninguém é mentalmente sadio... e você acha que estou dizendo que os errados somos nós?
Os errados são eles.
(Um texto sobre isso: Abaixo a normalidade)
O que significa “se aceitar” de maneira não egocêntrica
Uma das principais consequências da febre de autodiagnósticos é uma certa autoaceitação egocêntrica e preguiçosa.
Antes, eu tinha três defeitos de personalidade desagráveis que estava, a duras penas, tentando corrigir, superar, melhorar.
Agora, sou uma “porbacete” e esses três defeitos se transformaram em características intrínsecas que precisam ser “aceitas”, me absolvendo de todo e qualquer esforço de desenvolvimento pessoal.
Mas se autoaceitar não é isso.
Minha autoaceitação não é uma desculpa para eu largar minhas roupas pelo chão, chegar sempre atrasado em qualquer compromisso e jogar o peso das tarefas domésticas nos ombos da minha esposa… porque “sou assim”, porque “estou no espectro porbacete”, etc.
Pelo contrário, autoaceitação é eu reconhecer que, pra mim, algumas tarefas são mais difíceis do que para outras pessoas e que eu talvez precise de esforço adicional e de ajuda adicional para realizar essas mesmas tarefas, inclusive farmacêutica.
Infelizmente, conheço muitas e muitas pessoas que usam autodiagnósticos de doenças mentais recém-inventadas para somente empoderar seus defeitos pessoais.
Não existe doença mental
Os distúrbios mentais que os psiquiatras inventam não são equivalentes às doenças físicas do corpo. Coração existe, de verdade, no corpo, tem peso, cor, massa. A mente, não. A mente é uma ideia abstrata. Quanto pesa uma mente?
Um cardiologista, digamos, tem como determinar qual é funcionamento correto de um coração e, portanto, se o coração de uma pessoa não está funcionando de acordo com esse funcionamento ideal, padrão, esperado, etc, então, essa pessoa sofre de doença cardíaca.
Doenças mentais são outra história, porque não existe funcionamento correto, ideal, padrão de uma mente humana.
Um comportamento normal em Cuba (tipo conversar aos gritos com o vizinho de uma varanda para a outra) seria considerado patológico na Suiça e faria a pessoa ser considerada louca, desajustada. Durante muito tempo, o comportamento normal de um homem era considerado histeria se fosse feito por uma mulher. Comportamentos normais e aceitáveis em estrelas do rock seriam considerados loucos se feitos por um contador. Etc, etc. Os exemplos são infinitos.
Qualquer diagnostico de doença mental só pode existir em oposição à uma ideia idealizada e convencionada do que seria uma mente sadia. Mas essa ideia também é, como não poderia deixar de ser, política e ideológica.
(Um texto meu desenvolvendo essas ideias: Não existe mente, não existe alma, só existe corpo.)
O mito da doença mental
Como escreveu o psiquiatra Thomas Szasz, toda “doença mental” é uma teoria, não um fato. Dizer que alguém tem uma doença mental não é mais nem menos factual do que acusá-la de estar possuída pelo demônio. Abaixo, alguns trechos desse artigo de Pablo Valente sobre as ideias de Szasz:
“O conceito de “doença mental” seria utilizado para classificar problemas inerentes a vida, de acordo com um padrão irreal de comportamentos sociais, que seguiriam determinadas normas psicossociais (como o DSM, por exemplo). Julgamentos seriam feitos para atribuir a alguém o rótulo de “doente mental”, a dissemelhança em relação a padrões ideais de comportamento confirmariam o rótulo – normalmente pelo psiquiatra – e “curas” e ações de “correção” seriam logo iniciadas.
“A ideia de “doença mental” serviria, maliciosamente, não só como artifício psiquiátrico, mas também – e fundamentalmente – como uma forma de estigmatizar e excluir comportamentos e dificuldades humanas não toleradas pela sociedade. Szasz difere a doença corporal – que em sua concepção seria pública e fisioquímica – da “doença mental”, apontando-a como um conceito utilizado para padronizar comportamentos sociopsicológicos dos quais o observador (diagnosticador) faria parte.
“A ideia da doença mental está sendo atualmente posta a funcionar para ocultar certas dificuldades que no presente podem ser inerentes – não que elas necessitem ser imutáveis – nos intercâmbios sociais das pessoas. O conceito funciona como um disfarce; pois ao invés de chamar atenção para as necessidades humanas conflitantes, aspirações e valores, a noção da doença mental fornece uma “coisa” amoral e impessoal (uma “doença”) como uma explicação para os problemas da vida.”
O conformismo da psiquiatria
Essa normalização de diagnósticos psiquiátricos de doenças mentais inventadas nos leva ao mundo de hoje, onde se tornou quase um truísmo autoevidente que todas as pessoas precisam de terapia, pois ninguém é, ou poderia ser, mentalmente sadio de verdade.
Se toda terapia psiquiátrica tem como objetivo trazer o paciente “de volta” à “normalidade” do mundo, torná-lo capaz de funcionar melhor em sociedade, etc, então, o que poderia ser mais profundamente conservador e conformista?
Será que o problema é sempre o paciente e nunca o mundo? Será que nosso objetivo não deveria ser mudar o mundo para torná-lo mais amigável às estranhezas do paciente? Será que nosso critério de saúde mental deveria mesmo ser “estar mais adequado e melhor inserido” em um mundo doente, injusto, desigual?
Não dá pra criar todo um campo de conhecimento cujo único objetivo é moldar as pessoas a um padrão de normalidade convencionado… e essa disciplina não acabar fortalecendo e sustentando esse mesmo status quo no qual está tentando forçosamente encaixar as pessoas, muitas vezes a revelia delas mesmas.
Roberto Freire era médico psiquiatra. Uma vez, ao tratar um paciente homossexual, ele se deu conta de que nada adiantava curar os danos psíquicos que a sociedade homofóbica fizera àquela pessoa somente para depois soltá-la no mesmo mundo homofóbico que tinha lhe adoecido. De uma maneira bem real, a única maneira de curar a doença daquele único paciente era curar a doença de toda a sociedade.
(Um texto com os meus trechos favoritos da obra do Freire.)
Uma nota final
Esse é um texto genérico que faz questão de não citar nenhum exemplo específico. Pelo contrário, inventei vários nomes de rótulos fictícios (flupocrético, gadejoal, porbacete, labájofo, etc) justamente para não ter que dar exemplos reais.
Se você ler e pensar que minhas palavras não se aplicam à condição A ou B, então, é porque não é delas que estou falando.
O texto tem lacunas que foram deixadas explicitamente para que a pessoa leitora as preencha.
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Próximos encontros para mecenas
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O curso Grande conversa romance: 1 ano para ler 6 romances perfeitos é um mergulho profundo em alguns dos maiores e mais perfeitos romances da literatura mundial.
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Ninguém precisa de ajuda para ler os livros fáceis e curtos. A ideia do curso é ajudar vocês a lerem aqueles livrões que, talvez, estavam adiando ler a vida inteira e, quem sabe, ajudá-los também a encontrar novos livrões legais.
Leremos só grandes livros, um romance em cada uma das principais línguas literárias ocidentais. Abaixo, a lista completa, em ordem cronológica. Os links já levam à edição recomendada.
1 Moby Dick, inglês, 1851 (agosto & setembro 2025)
2 Os miseráveis, francês, 1862 (outubro & novembro 2025)
3 Guerra e paz, russo, 1867 (dezembro 2025, janeiro & fevereiro 2026)
4 Grande sertão: veredas, português, 1956 (março & abril 2026)
5 Cem anos de solidão, espanhol, 1967 (maio & junho 2026)
6 Tetralogia napolitana, italiano, 2015 (julho & agosto 2026)
Saiba mais sobre o curso aqui.
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Grande Conversa: Romance, Calendário
Qua, 26nov25, 19h: aula 2, Os miseráveis
Dom, 7dez25, 19h: Conversa livre, Guerra e paz
Dom, 1fev26, 19h: Conversa livre, Guerra e paz
Qua, 25fev26, 19h: aula 3, Guerra e paz
Dom, 1mar26, 19h: Conversa livre, Grande sertão: veredas
Dom, 12abr26, 19h: Conversa livre, Grande sertão: veredas
Qua, 29abr26, 19h: aula 4, Grande sertão: veredas
Dom, 10mai26, 19h: Conversa livre, Cem anos de solidão
Dom, 14jun26, 19h: Conversa livre, Cem anos de solidão
Qua, 24jun26, 19h: aula 5, Cem anos de solidão
Dom, 5jul26, 19h: Conversa livre, Tetralogia napolitana
Dom, 2ago26, 19h: Conversa livre, Tetralogia napolitana
Qua, 26ago26, 19h: aula 6, Tetralogia napolitana















Levei esse texto para a aula de Educação Especial na UFF, no curso que faço como aluno de pedagogia, me dei conta de como essa discussão atravessa diretamente a minha existência. Quando ele diz que “a normalidade é uma camisa-de-força”, eu sinto isso no corpo: a pressão constante para caber em padrões que nunca foram feitos para mim. Na turma, teve gente que amou o texto e teve gente que não. O que mais me pegou no texto foi perceber como a sociedade empurra a gente a se agarrar a diagnósticos para justificar aquilo que já era nosso desde sempre. Eu entendo o valor do diagnóstico, ele pode abrir portas, mas também vejo como ele pode virar rótulo demais e vida de menos. No fim, o que levo para mim é que eu existo antes, durante e depois de qualquer sigla, e que o desafio é construir um mundo onde eu e outras pessoas possamos ser com nossas estranhezas sem precisar de autorização médica.
"Nomear suas angústias, sua falta de desencaixe, suas manias, suas demandas faz vc se entender mais muito muito mais mesmo!"
Mas quem está nomeando essas angústias é você ou a Associação Americana de Psiquiatria? Não estou respondendo diretamente no comentário onde esse argumento foi levantado porque queria usar como ponto de partida pra dizer algo que está relacionado. Alex, você não chega a mencionar no texto, mas além do argumento do pertencimento, vejo muito essa ideia de que a sistematização de transtornos "neurodivergentes" ajuda as pessoas porque permite que elas consigam "acomodações" que as coloquem em pé de igualdade com os demais, "neurotípicos". Essas acomodações podem realmente ser importantes e permitir que algumas pessoas consigam desempenhar funções que antes não desempenhavam com sucesso, como manter uma alimentação saudável, hábitos de higiene consistentes, etc. Mas quando estamos pensando em pessoas cuja história é "fui diferente a vida inteira, nunca me adaptei, nunca consegui fazer as coisas que queria" fica difícil separar essa impressão pessoal de um histórico real que sugira uma defasagem a ser corrigida. (Pra uma comparação simples, pense na diferença entre "não passei no processo seletivo porque queriam chamar o sobrinho do chefe" e "não passei no processo seletivo porque rolou o azar de alguém concorrer justo a essa vaga tendo currículo melhor que eu".) Quando coloco as coisas em termos de "dificuldades que passei na vida", o que estou querendo dizer não é que eu queria ter tido chances que não tive, oportunidades diferentes, enfim? O auxílio terapêutico (medicamentoso ou não) é pra que eu possa diminuir meu sofrimento na sociedade ou para que as minhas limitações tenham menos consequências? Como saber se as consequências que eu vivi são injustas, porque resultado de uma má interpretação de um transtorno global do desenvolvimento, ou normais, porque todo mundo tem diversos qualidades e defeitos que vão trazer imprevisíveis problemas e soluções ao longo da vida? Essas medidas que me "adaptam" à sociedade estão me ajudando a lidar com as inevitáveis angústias da vida ou estão tentando me poupar de sofrer as também inevitáveis consequências de ser quem a gente é no mundo?